Oficina Caruanas forma 22 mulheres indígenas no Parque das Tribos e amplia vozes femininas na cultura amazônica

Oficina Caruanas forma 22 mulheres indígenas no Parque das Tribos e amplia vozes femininas na cultura amazônica
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Com 22 mulheres indígenas formadas, representando diferentes etnias e trajetórias de vida, a Oficina Caruanas concluiu um ciclo de vivências voltadas para o fortalecimento da autonomia, da ancestralidade e da valorização da cultura indígena no Parque das Tribos, nesta semana. A atividade integra o Projeto Cultura Raiz, realizado pela Associação Zagaia Amazônia com apoio da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e patrocínio do Instituto Aegea e da Águas de Manaus.

O encerramento da oficina aconteceu no Malocão da comunidade, no bairro Tarumã-Açu, reunindo participantes, lideranças e parceiros em uma tarde de escuta, emoção e reconhecimento. Ao longo das semanas, as alunas participaram de rodas de conversa sobre empreendedorismo cultural, empoderamento feminino, autocuidado, mudanças climáticas, território e enfrentamento à violência de gênero — temáticas conduzidas em um espaço seguro, construído por mulheres e para mulheres.

“Estamos finalizando um ciclo de oficinas no Parque das Tribos. Esse ciclo foi com mulheres, um olhar que estas mulheres puderam ter em relação ao empreendedorismo, empoderamento, ao autocuidado, questões de violência de gênero, mudanças climáticas. As oficinas eram realmente vivências compartilhadas. É pelas vivências que aprendemos”, afirmou Rozana Trilha, presidente da Associação Zagaia Amazônia e idealizadora do projeto.

Durante o encerramento, vozes indígenas compartilharam experiências, lembranças e aprendizados. “Foi maravilhoso para nós. Um encontro de diferentes culturas, uma sabedoria, uma oportunidade para nossas mulheres indígenas”, afirmou Beatriz Melguero, da etnia Baré. Ao seu lado, Ana Cláudia Martins, também Baré, completou: “Eu estive presente para enriquecer, para buscar mais experiência e também para compartilhar as minhas experiências com as professoras e com as outras colegas que estavam nessa oficina.”

Para Elizângela Gonçalves (Eliza), da etnia Sairé Mawé, a formação ampliou horizontes para quem vive da arte: “Falar de empreendedorismo para as artesãs que habitam aqui é algo maravilhoso. Poder aprender e saber como vender um produto, como proporcionar aos nossos clientes a melhor forma.”

Ao longo dos depoimentos, histórias pessoais emergiram com força. Rosilene Gonçalves, da etnia Miranha, sensibilizou-se ao lembrar da própria infância: “O que me marcou muito foi uma lembrança de quando eu era criança, porque foi uma memória que eu tive da minha mãe. E ela não está mais aqui comigo. Perdi ela com 13 anos de idade. Então foi uma coisa assim que veio e me emocionou muito.”

A gerente de Responsabilidade Social da Águas de Manaus, Simony Dias, destacou a relevância social da iniciativa: “Projetos como este, quando desenvolvidos dentro das comunidades e voltados especialmente para as mulheres, promovem o empoderamento feminino, criam um ambiente seguro de acolhimento e permitem que elas compartilhem sua cultura, suas vivências e saberes, fortalecendo sua identidade e protagonismo. Além disso, a oficina oportuniza que as mulheres se abram nesses espaços e contem um pouco de suas histórias, promovendo um resgate do passado, do presente e também reflexões sobre o futuro.”

Com a voz firme, Nazonilda Lima, da etnia Mura, resumiu o que leva da experiência: “Trouxe para nós o benefício de poder ajudar outras mulheres que estão em casa, muitas vezes depressivas.”

Além da Oficina Caruanas, o Projeto Cultura Raiz promoveu outras duas oficinas no Parque das Tribos: a Oficina de Fotografia com Celular, com 20 jovens participantes, e a Oficina de Empreendedorismo Cultural, que reuniu 25 alunos para discutir práticas sustentáveis e caminhos de geração de renda com base na cultura e na identidade indígena.

O encerramento oficial do projeto acontece no dia 24 de novembro, com a exposição fotográfica dos registros produzidos pelos alunos da oficina de fotografia. A mostra será aberta ao público e marca o desfecho de uma jornada construída com escuta, afeto e protagonismo comunitário — ampliando os espaços de visibilidade para a juventude indígena do território.